OUTUBRO ROSA: RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA, AUTO ESTIMA E ATIVIDADES FÍSICAS - Por Dr. Italo Bozzola Filho


O Brasil registra cerca de 50 mil casos de câncer de mama anualmente. Desses, em torno de 12 mil pacientes morrem após o diagnóstico. Dos outros 38 mil, cerca de 5 mil conseguem fazer a reconstrução mamária pelo convênio ou plano de saúde, enquanto mais de 30 mil mulheres dependem da rede pública para o procedimento.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o tumor na mama é o segundo tipo mais comum de câncer registrado entre mulheres no Brasil e no mundo – atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A doença responde por cerca de 25% dos novos casos de câncer registrados todos os anos.

A estimativa é que cerca de 57.960 novos casos de câncer de mama sejam registrados no Brasil este ano. Em 2013, 14.388 pessoas morreram no país em razão da doença, sendo 14.206 mulheres e 181 homens (o tumor também acomete homens, mas de forma mais rara, representando apenas 1% do total de casos).

A reconstrução da mama é parte integrante da proposta de tratamento para o câncer de mama, que envolve o diagnóstico, a cirurgia para retirada de parte da mama ou de toda a mama, a quimioterapia e a radioterapia e, por fim, a plástica reconstrutora.

A reconstrução mamaria devolve a essas pacientes a autoestima. Estudos mostram que as mulheres reconstruídas têm menor chance de reincidir no câncer porque essas doenças estão relacionadas à produção de endorfina e ao equilíbrio emocional. Mulheres mastectomizadas são mais deprimidas, mutiladas, tristes. Mulheres reconstruídas retomam seu relacionamento afetivo, encontram um ponto de equilíbrio psicoafetivo e uma melhora do humor e do estado depressivo. O esporte (atividade  física) , depois do repouso  pós operatório , vem de encontro com isso.

As pacientes devem respeitar um tempo de repouso após a cirurgia. Esse tempo depende de cada paciente. É individualizado pois existem várias maneiras de se fazer uma reconstrução .Vai depender do tipo do tumor, cirurgia de retirada(s) da(s) mama(s), e tratamento pré e/ou pós operatório (quimioterapia e/ou radioterapia).

Em uma média, depois de 60 dias iniciamos a fisioterapia. Importante para o inicio da reabilitação das pacientes. Nessa fase também liberamos para atividades domésticas leves. Apos um período médio de 5-6 meses as pacientes são liberadas para atividade física leve: caminhadas, bike ergométricas, yoga. Por volta de 9 meses atividades físicas moderadas como pilates, corrida leve ,  academia(musculação) , hidroginástica, etc. E por volta de um ano qualquer atividade até mesmo  corridas longas, natação, ciclismo, cavalgadas.

È importante salientar que cada caso deve ser individualizado e orientado pelo cirurgião quando cada tipo de atividade pode ser iniciada. A orientação de um personal trainer também é importante para que a paciente execute os exercícios de maneira correta e não se machuque. Uma orientação nutricional também é recomendada. Uma boa e balanceada alimentação melhora a disposição para o exercício, o sistema imunológico e controle de peso corpóreo.




Chegará  um momento em que todas as pacientes com reconstrução mamaria poderão fazer os exercícios que desejarem . As únicas limitações são outros problemas físicos limitantes, doenças,  idade, e a disposição (vontade) da paciente, ou seja, terá uma vida normal. O que é o objetivo principal da reconstrução mamaria: o resgate da qualidade de vida, convívio social e familiar, regate da auto estima . Pacientes que praticam atividade física são mais felizes, mais dispostas, e tem muito menor probabilidade de recidiva do tumor, simplesmente por ter uma saúde melhor e um sistema imunológico mais ativo e forte.



Dr. Italo Bozzola Filho é cirurgião plástico, Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Professor Adjunto da FAMERP e do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Base. 

Neste mês de Outubro, participou do Mutirão de Reconstrução mamária, iniciativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que envolveu 98 hospitais em todo o país realizando a reconstrução mamária em quase 900 mulheres que sofreram mastectomia. A ação faz parte das atividades do outubro rosa sobre conscientização do Câncer de Mama e é um alerta de que é possível recuperar a mama em qualquer condição.
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